segunda-feira, 11 de junho de 2007

João vive para a sétima arte

O roteirista João Inácio, o premiado "shala", mal vê a hora de transpor seu texto para as telas dos cinemas.
Revista Diario
Ano II n° 56
Domingo, 10 de junho de 2007

Adequado à postura do profissional contestador de cinema, João Inácio, que trabalha há 10 anos em produção e exibição de cinema, não hesitou em colocar o dedo na ferida moral da questão da adoção: com “Shala”, um curta (tristemente baseado em fatos reais) que disseca o delicado aspecto da rejeição, ao contar a história de um menino que se recusa a se livrar de sua boneca. A ousadia fez bem a ele, que, no final de 2006, foi o Roteirista Premiado no Concurso de Apoio à Produção de Obras Cinematográficas Inéditas, promovido pelo Ministério da Cultura, justamente com sua obra “Shala”, escolhida entre 20 vencedores de 981 inscritos de todo o Brasil. O próximo passo, mais aguardado, é transpor o roteiro para as telas de cinema.





O que é mais difícil de executar quando se fala em sétima arte?


Conseguir os recursos do filme. O cinema engloba todas as artes, daí temos nossos custos multiplicados por sete, tornando a produção bastante onerosa.



Por que o nome Shala?


Shala é o nome da boneca do personagem principal, que funciona muito parecido como o Sr. Wilson de “Naufrago” e a Maria Eugênia do Bam-Bam.



Qual a sua intenção em abordar a questão da rejeição das crianças adotadas?


Esse é um tema nunca abordado pelo cinema, é uma ferida da sociedade que ninguém quer lembrar que existe, mas precisamos repensar de como garantir o direito básico dessas crianças de ter uma família, pois elas estão crescendo dentro de abrigos e sendo ignoradas pela sociedade.



O que contam os fatos reais ocorridos em Belém em que Shala foi baseado?


É o caso de um garoto de 6 anos de idade que passou por três processos de adoção, em todos ele foi rejeitado e devolvido. Os pais adotivos alegaram motivos extremamente preconceituosos. Há muitos outros casos de devolução de crianças adotadas e os mais desumanos motivos; que pode ser pela cor da pele, comportamento ou mesmo por uma necessidade especial que só venha se manifestar na criança depois da adoção.



O que falta para o filme ir para as telas?


Já conseguimos quase metade dos recursos financeiros fora Pará. Agora estamos aguardando a contrapartida do Poder público, pois o filme é todo rodado em Belém e tem na sua equipe mais de 50 artistas e técnicos, todos paraenses.



Qual sua a visão como cidadão de famílias que rejeitam seus filhos?


Vejo como famílias que procuram na adoção resolver problemas e carências pessoais, em vez de promover o direito de uma criança de ter amor e ter uma família.



Por ser paraense você sente essa obrigação de retratar as peculiaridades da nossa região?


Fazer filmes em Belém já é ser regional, o artista não pode estar algemado ao pitoresco da sua região. As peculiaridades podem ser uma forma de situar o enredo. Acredito que o mais importante é contarmos as nossas próprias histórias, mas de forma universal.



Além de dinheiro, o que mais se ganha ao ser contemplado pelo Minc?


Credibilidade. O prêmio do Minc é o mais respeitado e concorrido concurso de roteiro do país.



O que Shala te trouxe de lição?


Que todo esforço para conseguir realizar uma verdadeira obra de arte é válido, pois, como disse o corredor Steve Prefontaine, “dar menos que seu melhor é sacrificar o dom que você recebeu.”



O que o cinema paraense precisa para alçar vôos mais altos?


Sem dúvida, que o Estado e o Município realizem editais como os do Minc.



Para você, o que é cinema?


Cinema é mais do que diversão, é, quem sabe, do principal instrumento paratransformarmos a sociedade em algo melhor.



Que filme brasileiro mais te chamou a atenção?


“Cidade de Deus”, de Fernando Meireles, o qual pretendo utilizar a mesma técnica de preparação de atores para meu filme.



E estrangeiro?


“Dançando no Escuro”, de Lars Von Trier, que me ensinou como abordar um tema com muita sensibilidade e provocar reação no espectador.



Se você não fosse cineasta, o que seria?


Uma pessoa muito infeliz.



Qual cena real de Belém deveria estar fora de circuito?


O fechamento das salas de cinema.



A pirataria está na cara e na casa de muita gente. Qual sua opinião sobre essa problemática?


Não quero me comprometer, mas faço minhas as reflexões de Walter Benjamin.



Hoje, que filme pra você renderia mais que o Oscar?


Quem sabe um longa- metragem paraense feito apenas por paraenses.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Pan-Amazônica na Escola recebe roteirista premiado pelo Ministério da Cultura

Pan-Amazônica recebe roteirista premiado
Caderno D - Diario do Pará 04/06/07

O projeto Pan-Amazônica na escola chega dia 04 de Junho as 10:00h ao pólo 5 da SEDUC. Realizando no auditório da Escola Deodoro de Mendonça, um bate papo com o cineasta João Inácio que irá falar sobre roteiro cinematográfico.

No bate papo Inácio irá abordar aspectos básicos de roteiro original, roteiro adaptado e roteiro para documentário. Em especial falará dos Conceitos de adaptação cinematográfica de obras literárias e as dificuldades de transposição da linguagem literária para o cinema. O Roteirista também irá tecer reflexões sobre a especificidade de cada uma das linguagens, incluindo a música, o teatro, as artes plásticas e gráficas, os quadrinhos etc.
Dentro das abordagens serão apontados elementos que possibilitam a criação de significados na cinematográfica. No encontro também será exibição de trechos de filmes conhecidos e a leitura do roteiro de suas respectiva cena.

João Inácio já trabalha à 10 anos na produção e exibição de cinema e no final de 2006 foi o Roteirista Premiado no Concurso de Apoio à Produção de Obras Cinematográficas Inéditas promovido pelo Ministério da Cultura. O Roteiro de seu curta metragem “Shala” foi escolhido dentre 20 vencedores de 981 inscritos de todo o Brasil.

O projeto Pan-Amazônica na escola é uma ação preparatória da feira pan-amazônica do livro para alunos da rede pública de ensino do Estado do Pará. Promovidas pela Secretaria Executiva de Cultura (Secult), as ações preparatórias reúnem mais outros dois projetos: Pan-Amazônica no Município e Sarau da Feira. A Feira Pan-Amazônica do Livro irá acontecer de 28/09 a 07/10 no Hangar, Feira e Convenções da Amazônia.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

25 de maio - Dia Nacional da Adoção, O cinema em prol da Adoção




Shala aborda tematica em prol da Adoção

O dia 25 de maio é comemorado o Dia Nacional da Adoção; dia que surgiu em decorrência do movimento nacional dos Grupos e Associações de Apoio á Adoção, oficializado através da Lei n 10.447-09/05/2002.
Dia que deve chamar a atenção da sociedade como um todo, diante da realidade de milhares de crianças e adolescentes, que embora tenham direito de conviver, em família, garantido em Lei pelo ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente, vivem em abrigos, crescendo sem a proteção e a atenção necessárias ao seu pleno desenvolvimento, que somente uma família pode proporcionar.
Dia em que a sociedade e o Estado devem refletir o desenvolvimento de novas políticas públicas dando ênfase a construção de uma nova cultura, onde a adoção deixe de ser vista apenas como uma alternativa para dar filhos a quem não os pode gerar, daí a necessidade de buscarem-se novos instrumentos de reflexão sobre essa problemática.
O curta metragem Shala, do paraense João Inácio foi um dos projetos contemplados pelo Ministério da Cultura (MinC), no Concurso de Apoio à Produção de Obras Cinematográficas Inéditas. Sendo escolhido dentre 20 vencedores de 981 inscritos de todo o Brasil.
Shala terá como tema a institucionalização de crianças vítimas de abandono. O filme é baseado em fatos reais ocorridos em Belém.
Essa questão precisa ser mostrada á sociedade em geral, como algo que requer um olhar mais atento e responsável. A história conta a trajetória do garoto Pedro em busca de pais adotivos. Vivendo em um abrigo, Pedro, com 6 anos de idade, vive, entre outros preconceitos, o cruel desinteresse de ser adotado devido a sua faixA-etária. O garoto passa a criar situações diversas para chamar atenção de possíveis pais adotivos. Paralelo a essa busca Pedro passa a cultivar uma amizade profunda com seu único brinquedo; a boneca “Shala”, o que poderá prejudicar Pedro de conseguir seu maior sonho: Ter uma família.
O filme vai fazer com que cada um revisite seus pensamentos e conceitos, de uma forma criativa e inteligente e também possibilitando a realização de palestras, debates e oficinas sobre o tema, possibilitando a ampliação dessa reflexão.
“Shala” encontra-se em fase de pré-produção, aguardando apoio dois governos Municipal e Estadual, sua aprovação na Lei SEMEAR e assim complementar os recursos necessários para viabilização da obra.
A Produção do filme reunirá mais de 50 artistas e técnicos paraenses, entre fotógrafos, músicos, artistas plásticos, atores, entre outros, contribuindo para mais um trabalho realizado com uma competente equipe técnica local, como Cláudio Barros, responsável por encontrar a atriz do filme Tainá, Simone Machado, diretora de Produção, paraense reconhecido por seu trabalho em vários longas nacionais e com a colaboração de renomados técnicos de São Paulo com Kátia Coelho, diretora de fotografia premiada em Gramado e Idê Lacreta, montadora de Filmes como “A ópera do malandro” e “Kenoma”.
Para a cidade de Belém o filme será lançado com sessões gratuitas. E nos dois meses seguintes exibições em salas de cinemas da cidade, facilitando o acesso para que mais paraenses possam ver o cinema feito no Estado. Alem de sessões de cunho pedagógico em escolas da rede pública de ensino, participação em mostras, palestras, encontros e festivais nacionais e internacionais de cinema.
Fazer mais filmes no estado será não apenas mais um desafio, mas uma conquista de podermos registrar e mostrar a nossa cara e nós mesmos contarmos e refletirmos as nossas próprias histórias, com profissionalismo e competência.

terça-feira, 27 de março de 2007

Livros querem derrubar tabus

Jornal Diario do Pará
24/03/2007
Caderno Cidades
http://www.diariodopara.com.br/Edicoes/2007/03/24/Cidades/Ci_06.asp

ADOÇÃO
Livros querem derrubar tabus
A ONG italiana Amigos da Criança (Aibi), em parceria com o Unicef, promoveu ontem, no hotel Regente, em Belém, o seminário “Oficina dos Sonhos” para debater a problemática da adoção de crianças e adolescentes. Na ocasião, houve o lançamento de três publicações em forma de livro, produzidas por entidades ligadas ao trabalho com crianças institucionalizadas, e do projeto do filme “Shala”, do cineasta João Inácio, premiado pelo Ministério da Cultura.O evento reuniu técnicos e diretores de abrigos, estudantes e profissionais que atuam na área. Dados do ano passado apontam que em Belém há cerca de 260 crianças, entre zero e seis anos de idade lotadas em abrigos, à espera de pais adotivos. De acordo com a coordenadora interina do Unicef em Belém, Ida Pietricovsky, ainda persiste na sociedade o olhar preconceituoso em relação às crianças com idades mais avançadas, o que dificulta o processo de adoção, pois a maioria dos pais preferem se responsabilizar por crianças ainda bebês. “É preciso estimular o processo de adoção para torná-la mais sistemática, e acabar com esta preferência em adotar apenas crianças com idades entre dois e três meses”, ressalta. Pietricovsky afirmou que boa parte das crianças que estão em abrigos enfrenta problemas familiares, envolvendo violência doméstica. “A criança acaba fugindo de casa, chegando muitas vezes ao ponto da impossibilidade de convivência com a família. Em casos como estes, o trabalho inicial é criar mecanismos para tentar recolocá-la no seio da família”.

Filme lança ações de projeto
















Amazônia Jornal
24/03/2007 Noticias
Filme lança ações de projeto

O projeto do filme 'Shala', do paraense João Inácio, foi oficialmente lançado ontem no Hotel Regente como parte da programação do seminário e do lançamento das publicações: 'Ser filho' e 'Entre a realidade e o sonho'. O filme é baseado em fatos reais ocorridos em Belém e conta a história do cotidiano de um garoto que vive em abrigos em busca de seus pais adotivos. Durante o lançamento, foi apresentado o cronograma de ações do filme, entre eles a seleção de atores e as oficinas de produção de bonecas de pano para a utilização no filme, além de oficina de direção.
O objetivo do seminário é de compartilhar com os profissionais que atuam na área, as experiências e resultados alcançados na atividade 'Oficina dos sonhos', realizada pelo Projeto Membira entre 2005/2006, a qual teve como público alvo crianças e adolescentes institucionalizados em Belém. As publicações são produto final de um longo trabalho realizado pelo Centro de Serviço à Família (Membira) com crianças que vivem ou que viviam em abrigos da Região Metropolitana de Belém.
O trabalho é coordenado pelo Membira, que reúne a Associação Amigos da Criança (AiBi), Grupo de Estudos e Apoio à Adoção de Belém (Renascer), Grupo de Estudo e Pesquisa sobre a família, infância e Adolescência (Gepia/UFPA) e Fundação Papa João XXIII e apoio técnico e financeiro do Unicef. As duas publicações colocam o leitor em contato direto e profundo com a dor aguda e traumatizante de crianças afastadas de seus pais e familiares para viver em uma instituição de abrigo. As publicações apresentam textos e desenhos realizados por meio de estímulos à livre expressão de crianças e adolescentes.

De acordo com Patrícia Yokoyama, representante da AiBi em Belém, a idéia é de que as crianças sejam devolvidas às famílias, mas, caso isso não ocorra elas são encaminhadas para adoção nacional ou internacional. O mais gratificante é que não estamos sozinhos nessa ação, pois temos parceiros que estãos sendo fundamentais para o desenvolvimento do nosso trabalho e o filme 'Shala', do João Inácio, é baseado em fatos reais, o que possibilita a reflexão', afirmou Patrícia.

'Shala' é lançado durante seminário

Jornal O Liberal
23/03/2007 Magazine
'Shala' é lançado durante seminário

Produção
Filme paraense sobre crianças que vivem em abrigos tem seu projeto lançado hoje
O projeto do filme 'Shala', do paraense João Inácio, será lançado hoje, no Hotel Regente, às 11h, dentro da programação de lançamento das publicações 'Ser Filho' e 'Entre a Realidade e o Sonho', que são resultado do trabalho desenvolvido pelo Centro de Serviço à Família, com crianças que vivem ou viviam em abrigos da Região Metropolitana de Belém. As publicações têm apoio técnico e financeiro da Unicef.
Premiado pelo Ministério da Cultura, o filme 'Shala' é baseado em fatos reais ocorridos na capital paraense e conta a história de um garoto institucionalizado em busca de seus pais adotivos. O filme será rodado em 35 mm e executado pela Caiana Filmes.
Parte da equipe já está confirmada e a previsão é de que 'Shala' seja lançado no início de 2008.

'Shala' aborda adoção fracassada

Amazônia Jornal
27/12/2006 Noticias
'Shala' aborda adoção fracassada

A produção cinematográfica paraense continua a todo vapor. 'Shala' será o próximo filme de ficção produzido no Estado. A confirmação foi divulgada no dia 14 deste mês, no edital de apoio a produção de curta-metragem promovido pelo Ministério da Cultura.
O curta do paraense João Inácio foi um dos projetos contemplados pelo MINC no Concurso de Apoio à Produção de Obras Cinematográficas Inéditas, de Curta Metragem, dos Gêneros Ficção, Documentário ou Experimental (edital n° 3).
Foram escolhidos 20 projetos, com duração entre 10 e 15 minutos, dentre 981 inscritos e 958 deferidos de todo o Brasil, para receber o apoio financeiro de R$ 80 mil, cada um.
O roteiro do curta retrata a crescente institucionalização de crianças vitimizadas pelo abandono, resultado de uma adoção fracassada. O tema principal do filme foi baseado em fatos reais ocorridos em Belém do Pará.
'Shala' aborda essa realidade, pontuando em histórias vivenciada pelo personagem principal, Pedro, 5, que revela ser um pouco diferente. Depois de viver inúmeras rejeições, sofre a devolução como resultado de um processo fracassado de adoção e a falta de preparo dos pais adotivos para assumir a paternidade. Tudo isto somado a um comportamento preconceituoso. 'Esta problemática precisa ser mostrada à sociedade como algo que requer um olhar mais atento, responsável', comenta João Inácio.
Para Ana Maria Chamma, presidente da Fundação da Criança e do Adolescente do Pará (Funcap), que leu o projeto antes de ser enviado ao Ministério da Cultura, o roteiro de 'Shala' tem vários matizes interessantes. 'Há, por exemplo, um cunho pedagógico, pois seu trabalho pode ser usado como instrumento para se falar e discutir a adoção no Brasil. O roteiro do filme é simples, sem ser simplista, é objetivo, sem perder a densidade e é, acima de tudo, emocionante', diz.
Marcos Ribeiro, autor premiado pela Academia Brasileira de Letras e consultor em Sexualidade do Ministério da Saúde e Canal Futura, também já vem acompanhando o a construção do roteiro. 'Quando temos a oportunidade de apresentar essa tomada de consciência através do cinema, que reúne a arte do encontro entre o ser pensante e a poesia, podemos ter a certeza que, num fututo breve, homens/meninos e mulheres/meninas, se entenderão muito mais tranqüilamente, cada um respeitando o desejo e escolha do outro, seja nas brincadeiras de infância ou nos caminhos da vida adulta. O filme vai fazer com que cada um (re)visite seus pensamentos e (pre)conceitos, de uma forma muito criativa e inteligente, relata Ribeiro.
O filme tem previsão para começar a rodar em setembro, mas já tem nomes de peso na sua equipe técnica: Cláudio Barros (do grupo Cuira), fará a direção de atores, e Kátia Coelho, da Universidade de São Paulo (USP), a direção de fotografia.