segunda-feira, 20 de junho de 2016
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
CRÉDITOS
Secretaria do Audiovisual - SAv
Ministerio da Cultura
Governo Federal
Lei Semear
Fundação Cultural do Estado do Pará
Governo do Pará
Yamada
Lei Tó Teixeira e Guilherme Paraense
Fundação Cultural do Municipio de Belém
Prefeitura de Belém
Banco da Amazônia
Caiana Filmes
apresentam
co-produção
DOT
QUANTA
produtores associados
Maryson Sousa
Matthew Berge
Tiago Assis
Juliana Sinimbu
Bruno Carreira
Direção de Fotografia
Kátia Coelho
Edição e Mixagem de Som
Renan Vasconcelos
Trilha Sonora
Paulo José Campos de Melo
Edição
Allan Ribeiro e João Inácio
Direção de Arte
Aldo Paes
Direção de Elenco
Claudio Barros
Roteiro, Direção e Produção
João Inácio
Elenco
Pedro - Tiago Assis
Irmã de Pedro - Iizabelli Vilhena
Mãe de Pedro - Juliana Sinimbu
Pai de Pedro - Bruno Carreira
Pai 1 - Ricardo Abel Tavares
Mãe 1 - Nani Tavares
Mãe 2 - Aline Dias
Pai 2 - Victor Lameira
Assistente Social 1 - Tania Brasil
Assistente Social 2 - Luana Genú Klautau
fotografo - Arlen Keuffer
Figuração
Adriano Balbino Lima
Brenno William Balbino da Silva
Darly Karyne Barros da Silva
Davi Leal de Sousa Siqueira
Denilson da Silva Costa
Fabio da Paz Silva
Fabricio Keven Coutinho Favacho
Hugo Wesley Balbino da Silva
Kayse Lohane Barros da Silva
Leonardo Balbino de Lima
Lucas Emanuel Silva da Silva
Luiz Carlos da Silva Lopes
Naily Ohana Barros da Silva
Sammyr Leandry da Silva Pires
Equipe
Roteiro, Direção e Produção
João Inácio
1ø Assistente de Direção
Afonso Galindo
2ø Assistente de Direção
Bruno Assis
Direção de Fotografia
Kátia Coelho
Operador de Câmera
Naji Sidki
Assistente de Câmera
Emerson Maia
Operador de Video Assist
Still
Renato Chalú
Continuidade
Indaiá Freire
Edição
Allan Ribeiro e João Inácio
Som Direto
Aloysio Compasso
Assistente de Som Direto
Léo Bitar
Trilha Sonora Original
Paulo José Campos de Melo
Trilha sonora gravada no Estúdio Apce por Assis Figueiredo
Edição e Mixagem de Som
Renan Vasconcelos
Direção de Produção
Luciana Martins
Produção de Base e Assistente de Produção Executiva
Hindra Miranda
Assistente de Produção e Platô
Joanna Denholm
Assistente de Produção e Alimentação
Tiara Klautau
Assistente de Produção de Set
Thiago Freitas
Assistente de Produção e Transporte
Rafaela Fontoura
Direção de Arte
Aldo Paes
Assistente de de Produção de Arte
Francisco Leão (confeccao de objetos)
Camilla Leal
Viviane Rodrigues
Patricia Rodrigues
Direção de Elenco
Claudio Barros
Assistente de Elenco
Milton Mendonça
Ricardo Tavares D`Almeida
Figurino
Marbo Mendonça
Assistente de Figurino
Emanoel Junior
Helen Cristina
Caracterização
Sonia Penna
Assistente de Caracterização
Vânia Oliveira
Chefe de Maquinaria
Miguel Conte
Maquinistas
Angelo Conte
Chefe de Elétrica
Aldo Lima
Eletricista
Luis Celso Nascimento
Motoristas
Mauro, Cléo, Ivan
Assessoria de Imprensa
Sheila Faro
Contador
Fabio Lima
Captação de Recursos
Zienhe Castro
Captação de Recursos
Zienhe Castro
Traduções em Ingles
Raquel Marshall e Richard Marshall
filmado em 35mm Kodak Vision3 5219 500t
Agradecimentos Especiais
Renata Jardim
Simone Morelli
BOM GURI brinquedos madeira
Celpa
Colegaio Gentil Bittencourt
Cia Paulista de Pizza
Hotel Regente
Hotel Itaoca
Hiléia
Lojas Visão
Novita Home
Pizzaria Vitória
Quanta
Restaurante Hatobá
Ricosa
Belém - Pará - Amazônia - Brasil
2016
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
quarta-feira, 29 de julho de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Shala – Filme Paraense mostra o drama da criança adotiva reabandonada
O drama social de um menino órfão que tem a felicidade de ser adotado, mas acaba sofrendo a frustração de ser devolvido pelos novos pais é o epicentro do curta metragem “Shala, Nem Todas as Histórias são Felizes”, filme paraense que terminou de ser gravado neste domingo (12 de julho) em Belém. Shala é baseado em histórias verídicas reunidas pela Fundação da Criança e do Adolescente do Pará (Funcap) e foi premiado pelo Ministério da Cultura no Concurso de Apoio ao Cinema.
Shala é o nome da boneca que marca a amizade entre Pedro e sua colega de orfanato, Rita, papel desempenhado pela menina Isabelli Vilhena. Com o roteiro e direção de João Inácio, o filme, com duração de 12 minutos, traz como ator revelação o pequeno paraense Tiago de Assis, de 7 anos de idade. Ele faz o personagem principal, Pedro, levando para a telinha toda a inocência e emoção da criança abandonada, que é fadada a viver em abrigos espalhados pelo Brasil. Shala é produzido pela Caiana Filmes, tem o apoio da Lei To Teixeira e o patrocínio do Grupo Yamada.
Aluno da 3ª série, Tiago é bailarino clássico da Academia Ana Unger e, atualmente, participa da seleção para a norte-americana Academy Royal. “É a primeira vez que eu participo de um filme. Não é tão fácil (atuar num filme) como todo mundo pensa”, diz o compenetrado ator mirim. “Quando li o roteiro, já conhecia o Tiago e pensei logo nele. Eu já tinha dirigido o Tiago no espetáculo “Acqua”, que foi uma dança teatralizada, no ano retrasado. Eu me impressionei com o menino. Ele é espetacular no sentido pleno da palavra”, destaca Cláudio Barros, diretor de elenco do Shala, que foi quem descobriu o talentoso menino. “Há cinco anos o meu filho já dançava. Estou orgulhosa dele (Tiago)”, comemora a mãe de Tiago, Telma Costa.
As gravações de Shala aconteceram no Colégio Gentil, desde a segunda-feira, 7, até a sexta-feira, 10. No local foi reproduzido o ambiente do orfanato em que se passa a história. O segundo set de filmagens foi na loja Novitá, um belo casarão antigo da Avenida Braz de Aguiar, que serviu de cenário para a casa em que Pedro foi morar com a nova família. Os pais adotivos são encenados pelo experiente Bruno Carreira, de 39 anos, arquiteto e ex-modelo que já grava peças publicitárias e filmes com Cláudio barros há uma década; e pela cantora Juliana Sinimbú, de 23 anos, que estréia como atriz.
“O convite pra esse filme foi um susto e também um presente. É um papel forte, que envolve uma carga emocional grande. Estou feliz dos diretores estarem confiando em mim pra esse papel. É um filme muito bom e uma história linda. Estou ansiosa pelo resultado”, revela Juliana. Já Bruno, divide o desafio do novo papel com as dificuldades da recuperação de uma cirurgia de redução de estômago, feita há 15 dias: “O meu personagem é preconceituoso e autoritário. Ele (personagem) vê o filho adotivo como uma mercadoria que pode ser devolvida, se não gostar dela. Não é tanta ficção assim. O estômago acaba sofrendo os efeitos da tensão que o filme exige”, observa ele. “O Bruno entrega o espírito para o jogo da cena. O personagem não tem nada a ver com ele, que é dócil, mas o papel é truculento”, destaca Cláudio. Entre os trabalhos em que Bruno atuou, estão o personagem principal da peça “Orfeu”, de 2003, e o 1º tenente do longametragem “Araguaia, Conspiração do Silêncio”.
Ficha técnica: João Inácio assina o roteiro e a direção: “Com esta produção o Pará ganha mais uma realização cinematográfica competente para concorrer em pé de igualdade na quase centena de festivais e mostras de cinema no Brasil e no Exterior”, afirma ele. A intenção dele é lançar o filme em sessões gratuitas, na Estação das Docas, em Belém, e percorrer outras salas de cinema com a arrecadação de arrecadação de faldas descartáveis para abrigos de recém-nascidos, além de 40 salas de aula espalhadas pelo Estado. “Fazer filmes no Pará é mais que um desafio, é uma conquista de podermos registrar e mostrar a nossa cara e nós mesmos contarmos as nossas próprias histórias, com profissionalismo e competência”, resume Inácio.
Cláudio Barros é o diretor de elenco, ele foi responsável por encontrar a atriz do filme Tainá, e também atuou em filmes como “Araguaia, Conspiração do Silêncio”. Luciana Martins é a diretora de Produção, também tem trabalho de destaque nacional e com renomados técnicos de São Paulo. Kátia Coelho é a diretora de fotografia premiada em Gramado. Paulo José Campos de Melo assina a trilha sonora, ele é prestigiado pianista da Amazônia que compôs, gravou e editou a trilha sonora do premiado filme "Faust" do Diretor Ernst Gossner, na Áustria, e recebeu a Rosa de Ouro na Mostra de cinema de Göttingen e duas vezes a medalha Metropolis, em Münster (Alemanha) e Innsbrück (Áustria).
Texto: Enize Vidigal
Fotos: Renato Chalu
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
É dado Início a Produção
A trajetória do garoto Pedro em busca de pais adotivos é o enredos da mais nova produção cinematográfica paraense, Vivendo em um abrigo, o personagem de Pedro, com 6 anos de idade, vive, entre outros preconceitos, o cruel desinteresse de ser adotado devido a sua faixa-etária. O garoto passa a criar situações diversas para chamar atenção de possíveis pais adotivos. Paralelo a essa busca Pedro passa a cultivar uma amizade profunda com seu único brinquedo; a boneca “Shala”, o que poderá prejudicar Pedro de conseguir seu maior sonho: Ter uma família.
Shala terá como tema a institucionalização de crianças vítimas de abandono. O filme é baseado em fatos reais ocorridos em Belém. A Forte temática social revela uma realidade pouco conhecida e em muitos casos apagadas dos relatos das instituições de adoção, mostrando ser um projeto que aborda de forma forte e sensível esse esquecido mas presente problema social.
O curta metragem Shala, do paraense João Inácio foi um dos projetos contemplados pelo Ministério da Cultura (MinC), no Concurso de Apoio à Produção de Obras Cinematográficas Inéditas. Sendo escolhido dentre 20 vencedores de 981 inscritos de todo o Brasil. E recebendo o incentivo de 80 mil reais.
Segundo o diretor João Inácio, a proposta é fazer com que o filme estimule cada espectador a revisite seus pensamentos e conceitos, de uma forma criativa e inteligente e também possibilitando a realização de palestras, debates e oficinas sobre o tema, possibilitando a ampliação dessa reflexão.
“Shala” encontra-se em fase de pré-produção, muitos locais já foram definidos para as filmagens, a atriz paraense Lorena Rio já esta confirmada para o filme, como também já foi definido o garoto que fará o papel principal do filme. Por enquanto estamos guardando segredo sobre o nome do garoto para evitar exposições no seu momento de preparação com Claudio Barros, mas encontrei a criança certa, introspectivo, delicado e muito empenhado para interpretar a emocionante saga do personagem Pedro, diz João Inácio. A trilha sonora do filme também já esta em faze de produção, Paulo José Campos de Melo é quem regerá as notas com seu piano emocionante.
A Produção do filme reunirá mais de 50 artistas e técnicos paraenses, entre fotógrafos, músicos, artistas plásticos, atores, entre outros, contribuindo para mais um trabalho realizado com uma competente equipe técnica local, muitos técnicos renomados estão abrindo mão de seus cachês para colaborar na realização desse filme, alguns inclusive pagando suas próprias passagens para vir pra Belém por acreditar no filme. entre eles está a renomada técnica de São Paulo; Kátia Coelho, diretora de fotografia premiada em Gramado e pela Kodak.
Graças ao patrocínio do grupo Yamada, as filmagem já foram garantidas e marcadas para serem realizadas de 03 a 08 de julho. Mas muita estrutura precisa ser montada para o filme, por isso este grande espaço de tempo que antecede as filmagens é extremamente necessário. Infelizmente ainda falta recursos para a finalização e para o filme ser lançado com sessões gratuitas. E nos dois meses seguintes exibições em salas de cinemas da cidade, facilitando o acesso para que mais paraenses possam ver o cinema feito no Estado. Alem de sessões de cunho pedagógico em escolas da rede pública de ensino, participação em mostras, palestras, encontros e festivais nacionais e internacionais de cinema.
Não podemos mais esperar os patrocínios temos que pelo menos dar início as filmagens, nossos planos era lançar o filme no Fórum Social Mundial, mas o único patrocínio que conseguimos até agora foi o da Yamada e assim impossibilitou que o filme já estivesse pronto, fico triste de perdermos essa oportunidade mas, não podemos desistir e agora já estamos com todo o bloco na rua para q o filme fique pronto em maio, sem mais atrasos, desabafa o diretor.
Shala terá como tema a institucionalização de crianças vítimas de abandono. O filme é baseado em fatos reais ocorridos em Belém. A Forte temática social revela uma realidade pouco conhecida e em muitos casos apagadas dos relatos das instituições de adoção, mostrando ser um projeto que aborda de forma forte e sensível esse esquecido mas presente problema social.
O curta metragem Shala, do paraense João Inácio foi um dos projetos contemplados pelo Ministério da Cultura (MinC), no Concurso de Apoio à Produção de Obras Cinematográficas Inéditas. Sendo escolhido dentre 20 vencedores de 981 inscritos de todo o Brasil. E recebendo o incentivo de 80 mil reais.
Segundo o diretor João Inácio, a proposta é fazer com que o filme estimule cada espectador a revisite seus pensamentos e conceitos, de uma forma criativa e inteligente e também possibilitando a realização de palestras, debates e oficinas sobre o tema, possibilitando a ampliação dessa reflexão.
“Shala” encontra-se em fase de pré-produção, muitos locais já foram definidos para as filmagens, a atriz paraense Lorena Rio já esta confirmada para o filme, como também já foi definido o garoto que fará o papel principal do filme. Por enquanto estamos guardando segredo sobre o nome do garoto para evitar exposições no seu momento de preparação com Claudio Barros, mas encontrei a criança certa, introspectivo, delicado e muito empenhado para interpretar a emocionante saga do personagem Pedro, diz João Inácio. A trilha sonora do filme também já esta em faze de produção, Paulo José Campos de Melo é quem regerá as notas com seu piano emocionante.
A Produção do filme reunirá mais de 50 artistas e técnicos paraenses, entre fotógrafos, músicos, artistas plásticos, atores, entre outros, contribuindo para mais um trabalho realizado com uma competente equipe técnica local, muitos técnicos renomados estão abrindo mão de seus cachês para colaborar na realização desse filme, alguns inclusive pagando suas próprias passagens para vir pra Belém por acreditar no filme. entre eles está a renomada técnica de São Paulo; Kátia Coelho, diretora de fotografia premiada em Gramado e pela Kodak.
Graças ao patrocínio do grupo Yamada, as filmagem já foram garantidas e marcadas para serem realizadas de 03 a 08 de julho. Mas muita estrutura precisa ser montada para o filme, por isso este grande espaço de tempo que antecede as filmagens é extremamente necessário. Infelizmente ainda falta recursos para a finalização e para o filme ser lançado com sessões gratuitas. E nos dois meses seguintes exibições em salas de cinemas da cidade, facilitando o acesso para que mais paraenses possam ver o cinema feito no Estado. Alem de sessões de cunho pedagógico em escolas da rede pública de ensino, participação em mostras, palestras, encontros e festivais nacionais e internacionais de cinema.
Não podemos mais esperar os patrocínios temos que pelo menos dar início as filmagens, nossos planos era lançar o filme no Fórum Social Mundial, mas o único patrocínio que conseguimos até agora foi o da Yamada e assim impossibilitou que o filme já estivesse pronto, fico triste de perdermos essa oportunidade mas, não podemos desistir e agora já estamos com todo o bloco na rua para q o filme fique pronto em maio, sem mais atrasos, desabafa o diretor.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Cinema brasileiro em alta

No dia em que é comemorado, o cinema nacional já tem motivos para festejar
CAROLINA MENEZES
Da Redação
Jornal O Liberal, Magazine
Belém, Segunda, 05 de novembro de 2007
Este 5 de novembro, Dia do Cinema Brasileiro, merece comemoração especial: há anos o Brasil não tinha uma produção cinematográfica tão efervescente para se orgulhar, como tem hoje. Na década de 70, os filmes pipocavam. Nos anos 80, a produção caiu e, a partir de 1990, com a extinção da Embrafilmes, do Conselho Nacional de Cinema (Concine), da Fundação do Cinema Brasileiro, do próprio Ministério da Cultura e, claro, das leis de incentivo – tudo isso durante o mandato do então presidente da República, Fernando Collor de Melo –, houve época em que eram produzidos apenas seis filmes (ou menos) por ano.
A boa fase atual pode ser atribuída, sim, a uma melhora técnica. As produções de hoje tem outro padrão de qualidade, e devem muito pouco ou nada aos filmes estrangeiros. No entanto, um dos fatores que atrasa a imponência do cinema feito no Brasil frente ao mercado é, por incrível que pareça, o próprio público (sem falar na dificuldade de captação de recursos...). Exigente como nunca, o espectador paga o exorbitante preço do ingresso para assistir aos água-com-açúcar, thrillers, comédias-besteirol e outros tipos que parecem ser produzidos em massa – é claro que o nome 'Estados Unidos' merece destaque aqui como a grande representação dessa indústria de filmes –, mas a-do-ra colocar defeito no made in Brazil. E o máximo do elogio é sair do cinema dizendo 'pô, nem parece filme brasileiro!'.
O cineasta e dono da produtora Caiana Filmes, João Inácio, sabe muito bem a dificuldade de fazer cinema no Brasil – mais especificamente na região Norte, Estado do Pará, onde ele nasceu e mora até hoje. Mesmo assim, ele bateu o pé pelo que queria e, em dez anos de carreira, produziu quatro curtas e um longa-metragem. 'Sempre quis fazer cinema, eu estudei muito no início, fiz cursos em Belém e no Rio de Janeiro, trabalhei com muita gente boa. Essa é a minha vocação, mas é muito difícil consegui recursos pra tudo, temos que buscar fora. Falta uma política mais enérgica para o fomento de nossa produção, o Norte é a bola da vez no audiovisual, a Rede Globo já fez uma minissérie na região e a HBO está produzindo outra, mas filmes aqui só são feitos por gente que vem de fora! Acredito que com as novas políticas de edital teremos uma nova era e de produção local do audiovisual paraense'.
Inácio está em fase de captação de recursos de seu curta 'Shala', sobre um menino que mora em um abrigo para adoção e que vive a criar artimanhas para ser adotado. 'O Ministério da Cultura concedeu R$ 80 mil, o que garante o início do projeto, porque o filme foi contemplado no Concurso de Apoio à Produção Cinematográfica Inédita de Curta-Metragem. Foram só 20 projetos selecionados em todo o país, quase mil inscritos. Agora eu e minha equipe estamos correndo atrás do restante dos recursos', conta. 'A maior dificuldade é ter garra de conseguir produzir sabendo que você vai ser mal remunerado por muito tempo, porque ainda não existe um mercado local de produção em cinema, então as produções não empregam constantemente, e esses profissionais tendem a ou migrar para outras áreas ou sair de Belém. Há uma promessa do Governo do Estado em publicar editais de fomento a produção no ano que vem, isso já será um divisor de águas na história do cinema paraense, muita gente terá a real oportunidade de colocar seus roteiros para rodar, o mercado vai aquecer e os profissionais não terão mais que sair de Belém pra fazer cinema. Eu rezo para que isso aconteça', diz.
Crítico lamenta o nosso distanciamento dos festivais internacionais
O crítico de cinema Marco Antônio Moreira vai direto ao ponto, sem rodeios. 'Algumas coisas mudaram, outras não. O número de filmes produzidos por ano no Brasil subiu, recuperou um ritmo. A qualidade técnica está bem melhor do que antes, até porque as tecnologias estão mais baratas e acessíveis, e isso faz com que a gente seja bem visto no país e lá fora. O filme brasileiro hoje tem boa fotografia, bom roteiro, boa montagem, bom áudio. Claro que, como qualquer indústria cinematográfica, tem filmes bons e ruins. Mas apesar das boas mudanças, ainda há um distanciamento entre o Brasil e os festivais internacionais. E eu nem me refiro ao Oscar, que tem, na minha concepção, um critério de seleção duvidoso, falo de outros eventos que possam dar o reconhecimento ao cinema brasileiro', explica.
E continua: 'Também ainda sofremos com o problema da distribuição. Nem todas as produções nacionais chegam ao circuito comercial, e se chegam, é por causa de uma obrigatoriedade imposta pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) de o circuito exibir pelo menos uma produção nacional. E as sessões dificilmente têm bom público, as salas ficam quase que vazias durante a projeção do filme. E essa realidade não é só no cinema. Em qualquer locadora o índice de locação de filme nacional é baixíssimo', lamenta Marco Antônio.
Os espectadores também acabam, às vezes, complicando uma 'subida' dos filmes brasileiros por conta de preconceitos. 'Muita gente ainda acha que é ruim. Critica se tem palavrão ou cena de sexo, coisa que tem em quase todo filme norte-americano, é uma contradição esse tipo de queixa! Aí acontece que o último filme que o cara viu foi ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’ e ele diz que cinema brasileiro é ruim. Eu e outros críticos daqui como o Pedro Veriano, a Luzia Miranda Álvares e tantos outros, falamos do que nós sabemos. A gente vai pro cinema ver tudo, somos obrigados a ver para que não aconteça de fazermos o que a maioria faz: falar do que não se conhece', alfineta Marco Antônio.
O crítico, quando admite que já há, apesar de tudo, uma procura maior por filmes nacionais, não gosta de incluir 'Tropa de Elite', de José Padilha, na história. 'É um filme bom, sim, traz uma realidade interessante. Mas é um caso isolado por conta da pirataria e tudo mais. O que acontece é que o povo não vai ao cinema se não tiver global como protagonista, já reparou? Não acho que ‘Tropa’ fez sucesso por causa do Wagner Moura. ‘Saneamento Básico’, do Jorge Furtado, foi desprezado pelo público e também tinha ele no papel principal. E é assim com muitos filmes. Dos cerca de 60 produzidos por ano, a gente só conhece cinco ou seis! Filme brasileiro não é lançado, ele é jogado no mercado. Não há uma boa estratégia de divulgação planejada para ele. É uma situação triste, eu penso, mas num contexto geral, acho que já estivemos bem pior. Eu acredito que a tendência é melhorar, justamente pela melhora técnica. É preciso ser otimista', afirma.
Doze anos sem incentivo às produções locais
Sempre envolvida com produções audiovisuais no Estado do Pará, a produtora de projetos culturais, Márcia Macedo, diz que 2007 foi ano de plantio dos produtores paraenses. 'Não dá pra esquecer que foram doze anos sem políticas públicas voltadas para esse tipo de atividade. Com o novo Governo, entrou a iniciativa do Instituto de Artes do Pará (IAP), que tem tido uma força real no fomento da produção de animações. A todo o momento saem os resultados de editais federais, as elaborações de roteiro para longas-metragens. Eu vejo um novo momento a partir do próximo ano, e vejo com muito otimismo', reforça.
Para Márcia, este 5 de novembro é um dia de esperança para os cineastas paraenses. 'Onde a gente leva a produção do Pará, nos festivais e mostras, somos muito bem recebidos. Temos coisas boas, de qualidade, não só na capital, mas como no interior também, e a gente tem ido em busca desses novos olhares', conta.
O cinema brasileiro é mais que entretenimento e justamente por isso merece uma valorização diferenciada, afirma a produtora. 'Coisa que me irrita é crítica dura ao cinema brasileiro. A gente compra um lixo cultural estrangeiro todos os dias, 95% dos filmes americanos são péssimos! Aqui, temos roteiros diretos, filmes como ‘Dois Filhos de Francisco’, que cumprem uma função social. Mas é lamentável que, pra muita gente, o cinema brasileiro precise de histórias fantásticas e impecáveis para ser considerado e respeitado', dispara.
A boa fase atual pode ser atribuída, sim, a uma melhora técnica. As produções de hoje tem outro padrão de qualidade, e devem muito pouco ou nada aos filmes estrangeiros. No entanto, um dos fatores que atrasa a imponência do cinema feito no Brasil frente ao mercado é, por incrível que pareça, o próprio público (sem falar na dificuldade de captação de recursos...). Exigente como nunca, o espectador paga o exorbitante preço do ingresso para assistir aos água-com-açúcar, thrillers, comédias-besteirol e outros tipos que parecem ser produzidos em massa – é claro que o nome 'Estados Unidos' merece destaque aqui como a grande representação dessa indústria de filmes –, mas a-do-ra colocar defeito no made in Brazil. E o máximo do elogio é sair do cinema dizendo 'pô, nem parece filme brasileiro!'.
O cineasta e dono da produtora Caiana Filmes, João Inácio, sabe muito bem a dificuldade de fazer cinema no Brasil – mais especificamente na região Norte, Estado do Pará, onde ele nasceu e mora até hoje. Mesmo assim, ele bateu o pé pelo que queria e, em dez anos de carreira, produziu quatro curtas e um longa-metragem. 'Sempre quis fazer cinema, eu estudei muito no início, fiz cursos em Belém e no Rio de Janeiro, trabalhei com muita gente boa. Essa é a minha vocação, mas é muito difícil consegui recursos pra tudo, temos que buscar fora. Falta uma política mais enérgica para o fomento de nossa produção, o Norte é a bola da vez no audiovisual, a Rede Globo já fez uma minissérie na região e a HBO está produzindo outra, mas filmes aqui só são feitos por gente que vem de fora! Acredito que com as novas políticas de edital teremos uma nova era e de produção local do audiovisual paraense'.
Inácio está em fase de captação de recursos de seu curta 'Shala', sobre um menino que mora em um abrigo para adoção e que vive a criar artimanhas para ser adotado. 'O Ministério da Cultura concedeu R$ 80 mil, o que garante o início do projeto, porque o filme foi contemplado no Concurso de Apoio à Produção Cinematográfica Inédita de Curta-Metragem. Foram só 20 projetos selecionados em todo o país, quase mil inscritos. Agora eu e minha equipe estamos correndo atrás do restante dos recursos', conta. 'A maior dificuldade é ter garra de conseguir produzir sabendo que você vai ser mal remunerado por muito tempo, porque ainda não existe um mercado local de produção em cinema, então as produções não empregam constantemente, e esses profissionais tendem a ou migrar para outras áreas ou sair de Belém. Há uma promessa do Governo do Estado em publicar editais de fomento a produção no ano que vem, isso já será um divisor de águas na história do cinema paraense, muita gente terá a real oportunidade de colocar seus roteiros para rodar, o mercado vai aquecer e os profissionais não terão mais que sair de Belém pra fazer cinema. Eu rezo para que isso aconteça', diz.
Crítico lamenta o nosso distanciamento dos festivais internacionais
O crítico de cinema Marco Antônio Moreira vai direto ao ponto, sem rodeios. 'Algumas coisas mudaram, outras não. O número de filmes produzidos por ano no Brasil subiu, recuperou um ritmo. A qualidade técnica está bem melhor do que antes, até porque as tecnologias estão mais baratas e acessíveis, e isso faz com que a gente seja bem visto no país e lá fora. O filme brasileiro hoje tem boa fotografia, bom roteiro, boa montagem, bom áudio. Claro que, como qualquer indústria cinematográfica, tem filmes bons e ruins. Mas apesar das boas mudanças, ainda há um distanciamento entre o Brasil e os festivais internacionais. E eu nem me refiro ao Oscar, que tem, na minha concepção, um critério de seleção duvidoso, falo de outros eventos que possam dar o reconhecimento ao cinema brasileiro', explica.
E continua: 'Também ainda sofremos com o problema da distribuição. Nem todas as produções nacionais chegam ao circuito comercial, e se chegam, é por causa de uma obrigatoriedade imposta pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) de o circuito exibir pelo menos uma produção nacional. E as sessões dificilmente têm bom público, as salas ficam quase que vazias durante a projeção do filme. E essa realidade não é só no cinema. Em qualquer locadora o índice de locação de filme nacional é baixíssimo', lamenta Marco Antônio.
Os espectadores também acabam, às vezes, complicando uma 'subida' dos filmes brasileiros por conta de preconceitos. 'Muita gente ainda acha que é ruim. Critica se tem palavrão ou cena de sexo, coisa que tem em quase todo filme norte-americano, é uma contradição esse tipo de queixa! Aí acontece que o último filme que o cara viu foi ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’ e ele diz que cinema brasileiro é ruim. Eu e outros críticos daqui como o Pedro Veriano, a Luzia Miranda Álvares e tantos outros, falamos do que nós sabemos. A gente vai pro cinema ver tudo, somos obrigados a ver para que não aconteça de fazermos o que a maioria faz: falar do que não se conhece', alfineta Marco Antônio.
O crítico, quando admite que já há, apesar de tudo, uma procura maior por filmes nacionais, não gosta de incluir 'Tropa de Elite', de José Padilha, na história. 'É um filme bom, sim, traz uma realidade interessante. Mas é um caso isolado por conta da pirataria e tudo mais. O que acontece é que o povo não vai ao cinema se não tiver global como protagonista, já reparou? Não acho que ‘Tropa’ fez sucesso por causa do Wagner Moura. ‘Saneamento Básico’, do Jorge Furtado, foi desprezado pelo público e também tinha ele no papel principal. E é assim com muitos filmes. Dos cerca de 60 produzidos por ano, a gente só conhece cinco ou seis! Filme brasileiro não é lançado, ele é jogado no mercado. Não há uma boa estratégia de divulgação planejada para ele. É uma situação triste, eu penso, mas num contexto geral, acho que já estivemos bem pior. Eu acredito que a tendência é melhorar, justamente pela melhora técnica. É preciso ser otimista', afirma.
Doze anos sem incentivo às produções locais
Sempre envolvida com produções audiovisuais no Estado do Pará, a produtora de projetos culturais, Márcia Macedo, diz que 2007 foi ano de plantio dos produtores paraenses. 'Não dá pra esquecer que foram doze anos sem políticas públicas voltadas para esse tipo de atividade. Com o novo Governo, entrou a iniciativa do Instituto de Artes do Pará (IAP), que tem tido uma força real no fomento da produção de animações. A todo o momento saem os resultados de editais federais, as elaborações de roteiro para longas-metragens. Eu vejo um novo momento a partir do próximo ano, e vejo com muito otimismo', reforça.
Para Márcia, este 5 de novembro é um dia de esperança para os cineastas paraenses. 'Onde a gente leva a produção do Pará, nos festivais e mostras, somos muito bem recebidos. Temos coisas boas, de qualidade, não só na capital, mas como no interior também, e a gente tem ido em busca desses novos olhares', conta.
O cinema brasileiro é mais que entretenimento e justamente por isso merece uma valorização diferenciada, afirma a produtora. 'Coisa que me irrita é crítica dura ao cinema brasileiro. A gente compra um lixo cultural estrangeiro todos os dias, 95% dos filmes americanos são péssimos! Aqui, temos roteiros diretos, filmes como ‘Dois Filhos de Francisco’, que cumprem uma função social. Mas é lamentável que, pra muita gente, o cinema brasileiro precise de histórias fantásticas e impecáveis para ser considerado e respeitado', dispara.
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